‘Ok’ ele disse ainda com os olhos arregalados ‘Mas... não agora né?’
‘Amanhã’
‘O quê?’ ele quase berrou. Ela arregalou os olhos pra ele ‘O que?’ sussurrou.
‘Meu pai me ligou, eu... realmente preciso ir. Meu sonho vai se realizar, vou pra faculdade que quero... eu preciso estar lá amanhã’
‘Mas... mas... só temos hoje’
‘Pois é...’ ela riu nervosa. Sentiu as mãos tremerem e escondeu-as debaixo da mesa. Arthur coçou o queixo e começou a roer unhas.
‘Eu... não acredito’ ele disse pensativo. Bagunçou o cabelo numa atitude nervosa. Lua olhou pra mesa e depois pra ele.
‘Mas... ei... você pode arrumar uma substituta pra mim facilmente’ ela disse sorrindo.Arthur não sorriu. Olhou pra ela.
‘Não, eu não posso’ ele parecia bravo. Lua abaixou os olhos ‘Não, eu não posso, você não entende...’
‘Sempre se arruma um jeito, Arthur . Chay e Pedro não... disseram que... você nunca dura com namoradas. Dê essa desculpa’ ela disse num meio sorriso. Ele reparou no que ela estava falando. Ela achava ainda que ele só estava com ela por causa de Chay e Pedro ! Mas que droga! E agora, com apenas dois dias pela frente, ele não podia dizer sinceramente o que pensava disso tudo. Nem tivera a chance.
‘É... é verdade’ ele apenas concordou sentindo um aperto no peito. Ela sorriu angelicalmente.
‘Vou sentir sua falta’ ela riu. Ele sorriu sem conseguir se conter. Não podia vê-la sorrindo que ele era imbuído de felicidade.
‘Eu... também...’
‘Mas acho melhor voltarmos pra casa... vai começar a chover’ ela olhou pela janela ‘E não queremos que você estrague o cabelo’
‘Corta essa’ Arthur riu bagunçando o cabelo ‘Garçom?’ ele pediu a conta. Olhava pra ela pelo canto do olho sem saber mais o que dizer. Mil coisas passavam em sua cabeça. Ele não podia deixar ela ir embora assim, facilmente!
Entraram no carro depois de atravessarem uma ventania. Definitivamente ia chover. Ela se sentou ao lado dele e ficou olhando pro garoto, que olhava pela janela.
‘Deve fazer sol amanhã... se eu não tivesse uma entrevista... droga’ ele olhou pros pés.Lua franziu a testa e levantou o braço dele, se encostando e se aninhando em seu peito.
‘Me faz um favor, Arthur ?’ ela pediu. Ele abraçou ela, sentindo-a bem perto dele. Era uma sensação boa. Um calor gostoso.
‘Hm?’ ele perguntou.
‘Finge por alguns minutos que você é mesmo meu namorado? Quero dizer...’ ele sentiu que ela estava envergonhada.
‘Claro’ ele sorriu sem ela ver. Virou ela pra ele e apertou-a mais contra seu peito. O rosto dela estava virado pro dele e ambos sorriam. Ele passou a mão no queixo dela e ela apenas fechou os olhos, sentindo os toques dele a esquentarem por dentro. Arthur beijou sua testa. Se pudesse, não deixava aquela noite acabar nunca. Mas ela ia embora e ele não podia sequer dizer pra ela o que sentia. Isso faria ambos sofrerem mais ainda.
‘Sabe?’ ela perguntou baixinho, ainda de olhos fechados ‘Se eu tivesse um pedido pra fazer e eu pudesse escolher qualquer coisa... eu pediria por um namorado que nem você’ ela disse rindo. Ele sorriu.
‘Eu posso ser muito chato’ ele falou e ela deu de ombros, ainda aninhada em seu peito.
‘Eu também’ disse. Ele riu.
‘Posso ser ciumento...e bravo’
‘Somos dois’ ela ainda estava de olhos fechados.
‘Bom... eu poderia não estar contigo sempre que eu quisesse’ ele disse. Ela abriu os olhos e o encarou.
‘Então eu ficaria te esperando em casa, ao lado do telefone. Mas eu estaria feliz porque saberia que no fim de qualquer coisa você ainda seria meu’ ela fechou os olhos de novo, percebendo um brilho no olhar dele. Arthur sentiu o próprio queixo tremendo.
‘E eu não esperaria a hora de chegar em casa pra te ver’ ele disse tentando esconder a voz de tristeza que começara a sair involuntariamente. Ela continuou de olhos fechados.
‘Isso seria um consolo’
‘É...’ ele apenas concordou.
‘Pena que não existem gênios da lâmpada e nem acasos... bom, acasos existem, mas acabam como a gente sabe que vai acabar. Nisso’ ela disse sentindo uma lágrima descer pelo rosto. Arthur olhou pra fora sentindo o queixo tremer mais forte. Com a mão que estava acariciando o rosto dela, ele apertou nos olhos. Respirou fundo.
‘Tudo por causa de um mal entendido...’
‘Um bem... mal entendido’ ela riu ‘Se isso existir’
‘Existe...’ ele olhou pra ela sorrindo. Ela riu e o carro parou. Lua olhou pra fora e viu que ainda não estava chovendo.
‘Melhor eu... ir correndo...’
‘Certo. Posso te ligar amanha? Quero dizer... eu vou estar ocupado e... eu não sei...’
‘Faça como quiser, querido’ ela saiu do abraço dele e o olhou. Passou a mão no rosto dele ‘Eu só quero ir embora com essa imagem de você... e... bom...’ ela beijou ele de leve nos lábios. Arthur fechou os olhos sentindo uma lágrima querer descer pelo seu rosto. Ela separou dele ‘Boa noite’ e saiu do carro. Arthur viu ela fechando a porta e correndo pro hotel. Deixou que a lágrima caísse e pegou o telefone.
Lua entrou em casa chorando. Fechou a porta e tirou o casaco, jogando pro canto.
‘Mel ?’ ela perguntou. As luzes estavam apagadas e ela chegou no quarto. Um pedaço de papel estava em cima da cama. Ela, ainda chorando, pegou o papel e leu ‘Acredita que o imbecil do Chay ligou e me chamou pra sair? Bom, não me espere e se eu chegar cedo me chame de perdedora, o que eu espero que não aconteça. Espero que tudo tenha ocorrido bem. Beijos’
Lua sorriu levemente. Mel tinha bom humor pra tudo. Mesmo sabendo que provavelmente nunca mais veria o Chay ao vivo na vida – elas não podiam ficar indo pra Londres e duvidavam que um dia eles fossem pro Brasil – ela acreditava que poderia ter uma boa noite com ele.
Deitou na cama e chorou. Era imbecil ficar chorando assim. Ela sabia que não valia a pena, mas quem mandava nos sentimentos? Foi como um conto de fadas com um fim terrível, provocado pela princesa! Não, definitivamente não era um conto de fadas. Eles não possuíam um fim tão horrível. A imagem do rosto de Arthur contorcido em tristeza estava em sua cabeça. Ela sabia que ele sentia algo por ela. Nem que fosse gratidão, ou algo bom. Ele não ficara feliz ao saber que ela estava indo embora e ela duvidava que fosse só por causa de Chay e Pedro . Mas não tinha nada que podiam fazer.
Chorou mais. Não podia realmente fazer nada.Acabou adormecendo.
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